quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Carta aberta de um americano, agente russo, a Vladimir Putin

Paul Craig Roberts
Independentemente do que se pense ou deixe de pensar acerca de Donald Trump, o facto é que nunca antes desta refrega eleitoral, nem mesmo durante os anos da II Guerra Mundial, se verificou uma tão ampla e violenta campanha contra (ou mesmo a favor) um candidato presidencial nos Estados Unidos. Se pensarmos em termos de Ocidente, essa campanha não foi menos virulenta, nem menos enviesada na Europa. Entre nós, não dei conta de um jornal, muito menos de um canal de televisão, que fosse sequer longínquamente neutro na disputa. Não dei conta de um político, de um jornalista que fosse pró-Trump antes de conhecerem os resultados eleitorais, o que, em circunstâncias "normais", seria, até estatisticamente, impossível. Por cá, só dei conta desta expiação. No grande esquema das coisas, a cadeia RT foi - é - a grande excepção. Conhecidas as relações, pelo menos financeiras, com a Rússia de Putin, as acusações à RT, que já vêm desde o seu início, subiram imenso de tom. Tornaram-se até histéricas. Não foi a Rússia de Putin acusada de interferir e mesmo manipular a campanha eleitoral, por exemplo, promovendo ataques informáticos para revelar emails embaraçantemente reveladores? E agora que a media tradicional, foi derrotada fragorosamente pelos novos canais e redes de comunicação, que mais se haviam de lembrar que descobrir websites de "notícias falsas"? De chegar ao ponto de o parlamento europeu acusar a RT de ser um desses canais e "recomendar" intervenções para remediar a irradiação de "notícias falsas"? Paul Craig Roberts ganhou a distinção de ter sido indicado como um dos mais de 200 websites de "mentiras". Resolveu, em conformidade, escrever uma carta a Vladimir Putin cuja tradução me pareceu pertinente. Ei-la:

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Master Class - Keith Weiner

"Poder de Compra do Rendimento"

Partilhamos com os nossos leitores uma palestra de Keith Weiner organizada pelo American Institute for Economic Research - AIER. O orador é um proeminente teórico da visão de Antal Fekete e tem dinamizado a produção de conhecimento económico e financeiro no Gold Standard Institute e em Monetary Metals.
Neste último, Weiner conseguiu recentemente financiamento para o lançamento de um novo produto de investimento em Ouro - onde o rendimento é pago em ouro, precisamente.
Nesta palestra, Weiner procura mostrar as profundas contradições conceptuais do actual sistema monetário e financeiro global do ponto de vista da Nova Escola Austríaca, que resultam das perspectivas de Keynes e Friedman.

Alguns dos pontos abordados são:
- as actuais visões teóricas (e práticas) acerca do sistema estão erradas quanto ao foco da sua análise (especialmente a errada concepção das taxas de juro e natureza do crédito);
- a destruição de capital (e a desvalorização monetária) no último século;
- uma nova visão da produção da riqueza - a produção e o investimento, não o consumo;
- apresentação surpreendentemente simples de um novo indicador: poder de compra do rendimento.

A interpretação aqui apresentada da actual situação é sintetizada por Weiner numa imagem muito clara: estamos a gravitar para um buraco negro. Não há como pensar de outro modo. Assistimos a uma destruição sem precedentes de capital. O orador avisa: mesmo os que ainda julgam beneficiar da situação estão adormecidos, pois também estão a fazer desaparecer riqueza.

Boas reflexões.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Contra um mundo infestado de auto-nomeados peritos

Ante-Scriptum: devo um pedido de desculpas por esta longa ausência sem uma palavra de explicação. O problema é que não há explicação, e, portanto, não pode haver desculpa. Hoje, senti que devia voltar. Veremos se para continuar. Em qualquer caso, um muito obrigado aos leitores do Espectador Interessado.

Eduardo Freitas
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Há dias, um colunista de esquerda protestava o seu total apoio à globalização deste que se assegurasse que todos ganhassem nesse processo, o que não estaria entretanto a suceder. Ora, que entidade existe que "assegura" o que quer que seja? Aquela salvaguarda mais não era que um novo apelo a um ainda maior intervencionismo estatal, seja no plano nacional através de compensações aos "deserdados" da globalização, seja no plano supranacional onde "peritos" desenhariam acordos de "livre" comércio onde prevalecesse a "equidade" na distribuição dos seus benefícios.

Uma monstruosidade deste calibre, uns bons furos acima dos tratados multilaterais de "livre" comércio que a elite globalista tem tentado fazer avançar, à semelhança da sua "gestão" da cada vez mais suspeita vaga migratória que vivemos, é obviamente inaceitável para qualquer espírito livre.

Por favor não me entendam mal. Eu sou inteiramente favorável à globalização entendida como o resultado natural da divisão e especialização do trabalho internacionais. Por exemplo, fui e sou, um defensor das sweatshops porque não me incomoda a alegada "exploração" dos seus trabalhadores por pérfidas multinacionais quanto é ela que permite retirar milhões da pobreza mais abjecta em que antes viviam. Isto enquanto a canalha progressista vociferava contra a concorrência "desleal", a "escravização" dos operários com soldos "miseráveis" e, pasme-se, a utilização de trabalho infantil (como se antes as crianças adolescentes não trabalhassem em condições muito piores e a ganhar muito menos ou, simplesmente, morressem à fome ou de doença).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Derradeiros Propósitos

Estaremos atentos? A recente manobra de Modi (pm indiano) de proceder à proibição e ilegalização de 86% das notas em circulação na Índia está completa. O balanço não é completo mas, depois de registadas mortes e muita tensão nas filas para trocar as notas, um dos cérebros desta tendência - Kenneth Rogoff - já procedeu à sua celebração.
O artigo do seu blogue é exemplar. Aponta, com clareza é preciso sublinhá-lo, a direcção que "os mercados avançados" devem seguir. Ou seja, temos um Missionário a dizer o que acontecerá.
Estamos atentos?
Traduzo um dos parágrafos do artigo que Rogoff publicou (ver aqui), pela clareza das razões que estão - de facto - na base de todas as iniciativas desta natureza (sublinhados meus).
Veja-se:

"Estará a Índia a seguir o roteiro expresso em "The Curse of Cash"? A sua motivação parece ser essa, de facto. Um tema central nesse livro é que ainda que os cidadãos dos países avançados (sic) usem papel-moeda extensivamente (no caso dos EUA 10% das transacções), a maior parte da moeda física é mantida na economia paralela, alimentando a fuga aos impostos e o crime."

Ou ainda:

"De facto, os países em vias de desenvolvimento partilham dos mesmos problemas e a corrupção e a falsificação (de moeda - NT) é ainda pior. Simplesmente trocar as notas velhas por notas novas tem tantas vantagens quanto a intenção de eliminar, por completo, as notas de maior denominação. Qualquer pessoa que apareça para trocar largos montantes de papel-moeda torna-se vulnerável às autoridades legais e fiscais."

Ora o que estas inteligências não parecem ver (vêem mas não dizem, só pode) é que, a coberto da luta contra o crime, estas decisões são, na sua essência, manobras de confisco. É esse o seu derradeiro propósito.
Por mais que o repitam estas inteligências, é impossível não entender o seguinte: a hipótese de eliminar a economia paralela e reduzir, como causa, a carga fiscal é falsa.
O que se vê, tanto no presente como num contexto histórico mais alargado, é que o aumento da carga fiscal é constante (acompanha o crescimento do estado) e nem a melhoria na eficácia da máquina fiscal possibilita a diminuição da carga fiscal.
Mas as inteligências tanto repetem a mentira que ela se impregna na mente de todos como verdade.
Aliás, o título do livro de Rogoff é bem claro a revelar o pressuposto por detrás de toda a manobra: a maldição do papel-moeda.
É claro, não é?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Radar

A realidade narrada está impregnada de análises a mais um "acontecimento improvável". Não devíamos, antes, considerar as "surpresas" - a eleição de Trump e o Brexit - como resultados lógicos?
Falando de verdadeiras inevitabilidades, aquelas que vão sendo construídas e apresentadas pelos Narradores, o ritmo da sua concretização intensifica-se nos momentos de maior distracção. Há, claramente, uma tendência e ninguém parece preocupar-se em questionar a direcção.
A Índia decidiu terminar e recolher as notas de maior denominação. Veja-se a notícia e a declaração do banco central indiano (RBI). Esta última é uma pérola, um exemplo do esmerado esforço de estancar o pânico e o "papão" é sempre o mesmo: acabar com o crime. Quase um manual de sobrevivência. Uma delícia.
E na Austrália a manobra está igualmente a começar.
Alguém conhece lugar onde estas inevitabilidades mereçam uma pequena parte da atenção que recebem tópicos tão relevantes e metafísicos como os desvarios de Trump ou os contratos de Cristiano Ronaldo?
Gostava tanto de saber.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Irresistível

Aqui

Irresistível comentar este disparate.
Não porque seja falso, coisa que ainda não sabemos. Mas porque bastaria este senhor considerar a situação de milhares de contribuintes que, pagando, não têm médico de família, ou que aguardam horas nas urgências, meses e anos por consultas, exames e tratamentos para moderar a sua indução.
Não conheço outra corporação que alegue tal conclusão: "daqui a dez anos haverá inundação de médicos" para limitar o acesso à profissão. A analogia com a inundação é só engraçada, mas pouco.

Se ao menos às pessoas se deixasse que estas fizessem livremente as suas escolhas, tal "inundação" não passava de pequeno aguaceiro. Táxis, bancos ou médicos teimam em não perceber o que Mises explicou há muito tempo: estão a meio do caminho. Querem uma coisa e o seu contrário. Querem eficácia do mercado, mas querem manter artificialmente a defesa do seu interesse particular. Querem respeitar os direitos das pessoas, mas forçar as escolhas que estas podem fazer.
E por artificialmente entenda-se à força. Literal ou em letra de Lei.
Sonhadores.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Possibilidades

Manhãs clarividentes

Existem manhãs televisivas interessantes. Onde se pode aprender um pouco ou relembrar informações importantes que, à custa de tanta análise desportiva social perversa (ou o que por cá passa por seus substitutos), já esquecemos.
Imaginar que as televisões generalistas podiam investir alguns minutos de boa disposição e informação crítica é esforço inglório?

Não parece. Vejamos. Pela Irlanda:

Aqui

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bitcoin e Blockchain - REDUX

A confiança estilhaçada - que caminho seguir?

Publicamos aqui o primeiro de seis pequenos episódios que ilustram o estado da coisa quanto às criptomoedas e às respectivas tecnologias financeiras, bem como os princípios e valores iniciais do projecto Bitcoin, a sua diversificação geográfica e os propósitos divergentes que este sector tecnológico incorpora presentemente.
Importa ter presente que alguns dos colossos bancários e financeiros globais estão atentos. Mais, estão a investir cada vez mais nos gabinetes de desenvolvimento das tecnologias de "organização autónoma descentralizada" (DAO em inglês), na esperança de estar na frente e liderar a(s) mudança(s) que o sector bancário e financeiro enfrenta.

São muitos os desafios que estas tecnologias enfrentam, mas são muitas mais as opções que oferecem. Tendo isto por adquirido, compreende-se o alcance de uma ideia como esta: transferência de valor de forma segura, descentralizada e concorrencial. Por isso, o apelo à independência face ao estado (qualquer estado ou poder centralizado numa grande corporação, por exemplo) parece vencido pelas circunstâncias. Vejam-se as arrogantes declarações de Larry Summers, ou o esforço das instituições bancárias em acelerar a corrida ao "novo armamento" adquirindo muitas pequenas empresas de tecnologia que já estavam a conduzir o desenvolvimento dos seus projectos nas ditas tecnologias DAO.

Há muito a dizer e a analisar nestes episódios, mas é, para mim pelo menos, inegável a sensação de estar perante um novo mundo que se abre à nossa frente.
E com a proximidade da Web Summit em Lisboa, este documentário vem mesmo a calhar.
Parabéns à equipa da TechCrunch.
Boas reflexões.


Nota: os episódios aparecem como sendo sete mas, descontando o "piloto", o documentário distribui-se em seis episódios de aproximadamente sete minutos.



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Radar

Num gesto raro e até surpreendente, Otmar Issing faz a sua radiografia do projecto europeu. Sem receios de encarar a visão consensual que a burocracia europeia tem de si mesma e do conjunto dos dogmas que suportam o projecto, Issing diz coisas como (traduzo): "Um dia o castelo de cartas vem abaixo". Ou que "o euro foi traído pela política".
Descontando a aparente inocência daquelas palavras, estas declarações são importantes para ilustrar o estado do projecto europeu, especialmente depois do Brexit e das manobras de bastidores para prevenir outras saídas.
Declarações que Issing fez à publicação Central Banking e que Ambrose Evans-Pritchard contextualiza no artigo deste domingo.
O despertador está a tocar. Será que alguém o ouve?

domingo, 16 de outubro de 2016

Alívio ou "o folgar das costas"


Depois de Centeno ter sido avisado pela agência de rateio que a situação fiscal era confortável (e por isso se manteria a avaliação de Portugal), nota-se um ligeiro suavizar da percepção da doença de que padecemos.
Essa suavização não é genuína, não nos enganemos.
É apenas a condição para que o BCE se mantenha "a pagar a festa". E como é preciso manter os espíritos alegres e plenos de esperança, impõe-se a manutenção da parada.

Aliás, o nosso governo fará a sua parte e dará cumprimento à "expansão económica" (note-se as aspas) pela força de... impostos. Por outro lado, não obstante as pressões alemãs, o investimento público avançará em sectores que revelem bom retorno. Político, bem entendido. Mas tudo se fará pela folga que o BCE garante. Como de resto mostra a segunda imagem.
Há alguma margem, comparando com as congéneres, para o BCE continuar a intervir.
Até quando?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

E se...


Apenas uma agência internacional mantém as obrigações portuguesas com estatuto de investimento suficiente para que o Banco Central Europeu as continue a comprar. Até quando?
Até ao agravar da discussão em torno do orçamento?
Até à próxima corporação levar a cabo uma qualquer estratégia de extorsão?

Uma nota para o excelente serviço da equipa do "The Daily Shot". Passará (a partir de Novembro) a estar associado à subscrição de um grande jornal americano. Deixarei de acompanhar a equipa e o seu trabalho.
Godspeed.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Manobra táctica ou visão estratégica?

Fonte
O diapositivo acima consta da apresentação que o governador do Banco de Portugal fez no encontro entre Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (sic) que, há dois dias, decorreu em Lisboa. Para leitura dos materiais de suporte à intervenção de Carlos Costa seguir a ligação na imagem (esta corresponde ao diapositivo 4). Recomenda-se a leitura "da integral" do governador.
Esta intervenção expressa que intenção? Será um manobrar táctico correspondente à gestão dos danos que se amontoam no sector bancário e financeiro português? Limitando os "danos morais" na fase de balanço e limpeza?