domingo, 16 de julho de 2017

Radar


As recentes manobras de charme de Macron junto dos líderes europeus está a acelerar a concentração. Do projecto europeu. Parece estar em desenvolvimento adiantado a criação de um Fundo Monetário Europeu (concorrente do FMI). Alguns vêem já a hipótese de um verdadeiro Tesouro Europeu.
Pergunto-me: alguém discutiu isto? Houve algum referendo que legitimasse tal aprofundamento político, económico e financeiro?
Ninguém responde.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

China - que poder alternativo?

Selecciono e traduzo uma parte de uma excelente reflexão levada a cabo por Chris do projecto "Capitalist Exploits" que, de Singapura, vai produzindo as suas análises económicas, financeiras e políticas.
Naturalmente, recomendo a leitura integral do artigo.
Importa coligir alguma informação acerca da iniciativa da Nova Rota da Seda que a China está, lenta e consequentemente, a implementar. Tem a sua componente marítima e terrestre e comporta uma amálgama de instituições e parceiros (veja-se aqui).
Aqui pelo Espectador Interessado, há muito que vamos dando conta da extensão e qualidade destes movimentos e iniciativas - aqui, aqui ou aqui.
Os negritos e adaptações são da minha responsabilidade.
Como a China está a aumentar o seu poder global

A China tem ao seu dispor múltiplos modos através dos quais pode projectar o seu poderio económico, melhorar a sua balança comercial e exercer controlo sobre a dívida dos seus parceiros comerciais. Ao fazer uso deles, lentamente, garante uma influência política e económica que se reforça constantemente.
Caso sejam bem sucedidos nos seus intentos com a Nova Rota da Seda [conhecida internacionalmente como One Belt, One Road, daqui em diante referida por OBOR], a China pode esperar mitigar alguns dos seus problemas - que resultam do ciclo doméstico de crédito mal-parado - e, incidentalmente, garantir aquela projecção política e económica.
Os comentadores da iniciativa OBOR parecem dividir-se entre optimistas e cépticos quanto à capacidade da China em alcançar os seus objectivos com tal iniciativa. À partida, a ideia parece simples: a OBOR promete abrir mercados para as exportações chinesas. Mas essa abordagem parece-me simplista e inocente. Quanto mais investigo este tópico, mais concluo que há muito mais por detrás da OBOR do que se pode ver para já. Os chineses são muita coisa, mas não são estultos.
Consideremos alguns dos seus problemas, das suas ambições e a razão pela qual a OBOR é central para o mandato de Xi.

Excesso de capacidade

A China sofre de um excesso de capacidade produtiva e também de um problema interno de dívida no seu sistema bancário. Mas a OBOR pode providenciar os meios para a China diminuir essa dívida e exportar esse excesso de capacidade. Os chineses podem alcançar isso permitindo financiamento a países que estejam, desesperadamente, a necessitar dele – a Grécia encaixa aqui muito bem.

Aliviar a bolha de crédito

Certamente que um elevado nível de crédito não produtivo castiga o crescimento do produto chinês, mas considere-se o seguinte: e se a China transferisse a sua dívida doméstica para o balanço dos seus parceiros na OBOR?
Como?
O governo chinês pode emprestar aos seus parceiros o dinheiro necessário para grandes projectos de infra-estruturas – como, de resto, já estão a fazer. Quando esses projectos estiverem a ser construídos, uma boa parte dessa construção será atribuída a companhias chinesas, dando-lhes a hipótese de exportar o excesso de capacidade e ao mesmo tempo diminuir a bolha de crédito.
A China tem cerca de três triliões de dólares em papel/crédito que pode entregar a troco de poder e influência. Pense-se nisto:
O que é preferível?
Uma pilha de dólares? Com a FED ao leme que tem mostrado, sem ambiguidades, que assim que surjam as dificuldades, abandona o seu papel de referência monetária em prol da segurança e estabilidade política doméstica?

Ou apostar numa iniciativa que dá vantagem política e económica de alcance global?

A arma mais poderosa

domingo, 2 de julho de 2017

Medo do futuro ou antecipar um modo de controlo

Ler aqui

Os curadores estão a assumir uma posição acerca das novas tecnologias financeiras.
Se é uma atenção genuína, isto é, se visa analisar a sua natureza e as suas potencialidades para evitar os erros cometidos no passado e no presente... tenho dúvidas. Muitas.

E repare-se a legenda escolhida para a imagem. Esta atenção à China, pela perspectiva das potencialidades disruptivas é também curiosa. E muito.

O título é delicioso no processo de transferência que faz da atenção aos perigos apenas para o que é novo. Como se as tecnologias e estratégias financeiras dos últimos cem anos não tivessem riscos. E a tomar as palavras de Yellen na semana passada, esta gente julga que não há riscos nenhuns nas "jogadas das mentes brilhantes" dos últimos cem anos.

Está bem, está bem. Acredita quem quiser.